
Dinâmicas de reprodução e perfil de elites partidárias
Os casos dos diretórios estaduais de DEM e PT em SP
André Puzzili Comin
Universidade de São Paulo
Resumo
O artigo analisa o perfil e a dinâmica de ocupação de cargos nas Comissões Executivas Estaduais do DEM e do PT de SP, entre 2011 e 2025. O enquadramento teórico proposto entende o diretório como a arena de disputa entre a base de filiados e os mandatários eleitos, sendo que as principais variáveis dessa disputa são ideologia e origem. Mediu-se o perfil dos membros (destacados os cargos-chave) com base em gênero, raça, idade e histórico de ocupação de cargos públicos e o grau de renovação dos órgãos, a partir da coleta dos dados nos sites do TSE, da ALESP e do PT. Observou-se que o DEM apresenta maior dominância de homens brancos com mandato do que o PT. Praticamente não há membros sem histórico eleitoral no DEM, um grupo que, no PT, é composto exclusivamente por mulheres. Constatou-se que a renovação é maior no PT do que no DEM, mas no PT é declinante, corroborando a tese da transição desse partido do modelo de massas para o pega-tudo, e reforçando a tese da cartelização. Em ambos casos a renovação não se restringe às trocas formais de direção, e são fortemente afetadas pela dinâmica eleitoral, podendo-se avançar na compreensão de que a presença no parlamento afeta positivamente a posição no diretório e vice-versa. Também verificou-se a importância do modelo genético para ambos partidos, dos laços familiares para a ocupação de cargos no DEM e o efeito rodízio no PT.
Palavras-chave
partidos; diretórios estaduais; renovação partidária; elites políticas